Síndrome do pânico e surtos de ansiedade: muito além do que podemos perceber

Como psicólogas temos tentado trazer aqui assuntos que vemos aparecer com frequência em nossos consultórios, trabalhos sociais ou aqueles nos quais somos abordadas com frequência. Algumas vezes falamos sobre ansiedade, seja na compreensão geral da patologia ou na específica (a mais recente foi Transtorno de Ansiedade Generalizada). Escolhemos então, mais um dos quadros ansiosos, caracterizado como Síndrome do Pânico ou Transtorno de Ansiedade Paroxística para discutir aqui.

Caracterizado como um transtorno de ansiedade pelo manual de diagnósticos mentais, apresenta-se com crises de medo, ansiedade, estresse e pânico inexplicáveis e que podem acometer qualquer pessoa. Podem acontecer em qualquer hora e lugar, trazendo de forma rápida os sintomas de outras ansiedades, como palpitação, tonturas, sentimentos de irritabilidade, coração acelerado, suor excessivo, sensações de esquecimento, tremulações, dores e sensação de asfixia. De forma mais clara, a Síndrome do Pânico seria a manifestação intensa de um quadro de ansiedade. Antes de receber o diagnóstico, a pessoa com tais sintomas faz visitas constantes aos atendimentos de emergência.

Podemos considerar a Síndrome do Pânico como uma psicopatologia da modernidade. A sociedade em que vivemos hoje estimula demasiadamente a velocidade, a concorrência, a ideia fixa de ser o primeiro lugar a cada dia, de vencer a todo custo e de sentir apenas emoções positivas. Quando surge a indefinição, quando se rompe com uma maneira “feliz” de se viver, sentimos como se “tudo desmoronasse sobre nossa cabeça”, como se fosse preciso sumir ou morrer para se reerguer. Podemos fazer uma analogia com o Pânico, o qual vêm acompanhado de uma angústia enorme de desamparo, de desorganização, como se houvesse o rompimento dos laços de equilíbrio não só do nosso corpo, mas da nossa mente, das nossas emoções e logo surge um medo gigantesco de morte ou incompetência de se reequilibrar. E para haver o equilíbrio, muitas vezes é necessário o desmoronar-se.

O Pânico pode vir a ser desencadeado por momentos de estresse ou ansiedade excessivos. Mas se a síndrome pode acometer um indivíduo a qualquer momento como podemos lidar com ela? Se você é a pessoa que está sofrendo avise alguém sobre o que está acontecendo e busque apoio e ajuda. Técnicas de respiração podem ajudar a acalmar e amenizar os sintomas, no entanto buscar ajuda especializada e realizar os acompanhamentos para se prevenir e cuidar é fundamental. Mas se você é quem pode ajudar a pessoa com a síndrome, algumas dicas válidas são: não julgue e não compare com outras crises, tenha paciência com a pessoa, estimule-a a respirar, pegue em suas mãos (se ela rejeitar, não insista), abrace se julgar necessário, ofereça água e, assim que possível, procure uma ajuda profissional relatando o que está acontecendo. O mais importante de tudo é não desesperar e sim agir sem julgamentos, com empatia e responsabilidade, sempre pensando no bem-estar pessoal e do outro.

A participação de um médico psiquiátrica é de grande importância para se identificar a Síndrome do Pânico e a coexistência de outros transtornos psiquiátricos. Para tratamento há três possibilidades, a psiquiátrica, com a introdução de psicofármacos; a psicoterapêutica, com o profissional especializado em Psicologia, e o tratamento combinado: psicoterapêutico e medicamentoso, sendo este último o mais indicado, afinal a síndrome do Pânico desestabiliza não só os sentidos corporais, mas também os mentais.

 

Psicólogas Julia Cabral Mazini e Nathália dos Santos Dutra

Admin Autor

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *