Matosinhos recebe a “Medalha do Aleijadinho” e firma com Congonhas protocolo de intenção para reativar o Acordo de Geminação

A entrega da Comenda “Antônio Francisco Lisboa” para a Cidade de Matosinhos e a assinatura do Protocolo de Intenção para restabelecimento do Compromisso de Geminação entre Congonhas e o município português, marcaram o encerramento da programação oficial da comitiva lusitana na Cidade dos Profetas.

Durante a solenidade dessa sexta-feira, 14, no Museu de Congonhas, os lusitanos e demais convidados foram brindados com apresentações culturais da Banda de Nossa Senhora d’Ajuda; a Banda Sinfônica da Secretaria Municipal de Educação; o Coral Cidade dos Profetas e do Grupo Dez Pras Oito, que encenou um trecho da peça teatral “Criador e Criatura”, quando Feliciano Mendes e Aleijadinho se encontram.

Em mensagem enviada de Portugal, a presidente da Câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro, afirmou: “Queremos valorizar o que nos une, a imagem do Senhor de Matosinhos, e todo o trabalho do Aleijadinho, que está bem conservado no Santuário e bem explicado no Museu de Congonhas”.

O Vereador da Cultura, Fernando Rocha, que durante a última semana representou a Presidente da Câmara de Matosinhos em Minas Gerais, declarou: “Estamos muito emocionados com a forma como Congonhas, a sua gente, o seu prefeito nos receberam. Nós já tínhamos um Acordo de Geminação há muitos anos, mas que estava adormecido e agora, outra vez, pelo Senhor de Matosinhos, está a renascer e a intensificar-se, e não terá retrocesso no futuro, porque a vontade de ambas as partes é muito grande. Esses dois povos, com tanto em comum, como o símbolo do Senhor de Matosinhos, separados por um imenso mar, seguirão trocando experiências. A Câmara de Matosinho e nós também entendemos que temos de alargar a nossa colaboração a outras áreas, já que no passado havia somente a simples ida e vinda de alunos. Acho que há uma área fundamental que é a troca de experiências em torno deste Museu. Deixo os parabéns ao prefeito Zelinho e ao diretor do Museu, Sérgio Rodrigo. Esta é uma instituição exemplar, que explica o que está lá fora, sem querer roubar o brilho do grande Museu a céu aberto. Nós também estamos fazendo um Museu que tem objetivo muito semelhante ao deste. Costuma-se dizer que está tudo inventado, e portanto vamos colher os bons exemplos e adaptá-los. Este Museu é moderno, tem uma missão e visão bem definidas. Em outros, construiu-se a estrutura e no outro dia não se sabia o que se vai fazer.  Percebemos durante o Jubileu de Congonhas que temos muito a aprender convosco a reafirmar a nossa fé, mas a nossa festa de mais de 700 anos foi perdendo força no decorrer dos anos. Bons exemplos de preservação da memória e da devoção que cá vimos são a fita que os fieis beijam, as promessas feitas.  Em nome da Câmara de Matosinhos e de sua presidente, Luísa Salgueiro, reafirmo o agradecimento pela forma como fomos distinguidos com a mais alta honraria da Cidade, que nos trás mais responsabilidades e nos dá mostra de que a Prefeitura de Congonhas tem objetivos concretos”.

O prefeito de Congonhas, Zelinho, lembrou a sua ida a Matosinhos, compondo um grupo de trabalho, em maio, durante as festividades do Senhor Bom Jesus, onde foi muito bem recebido. “Agora selamos este Protocolo de Intenção para restabelecermos o Acordo de Geminação [que perdurou entre 1986 e 1996], e que surgiu, desta vez, de conversações iniciadas pelo arquiteto Antônio Carlos Coelho conosco em 6 de janeiro de 2017. As duas cidades terão muito o que ganhar em diversas áreas”, afirmou.

O arquiteto Antônio Carlos Coelho está em Congonhas pela terceira vez. Ele doou ao Museu de Congonhas um quadro criado em 1977 pelo professor Fernando Távora, uma das maiores referências da arquitetura portuguesa, a ele em 1982, que retrata o Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos. A obra, provavelmente, foi feita durante passagem por Congonhas. Como intermediário entre as duas cidades no propósito de restabelecer o Acordo de Geminação, o arquiteto afirma: “Hoje, após as visitas da Luísa a Congonhas, em janeiro deste ano, e de Zelinho a Matosinhos, este processo já não tem volta. Qualquer cidadão que, como eu, tem as duas nacionalidades fica duplamente emocionado com isso e orgulhoso de contribuir para os bons relacionamentos entre Congonhas e Matosinhos, fazendo com que Brasil e Portugal possam beber um pouco a cultura um do outro. A Europa é hoje um continente mais estável socialmente, politicamente e economicamente. No entanto, especificamente com relação ao culto ao Bom Jesus, é o caso de Portugal aprender um pouco mais com essa fé, ver como as coisas estão funcionando aqui, como o Museu de Congonhas, que qualquer país do velho continente queria possuir e, ainda, aproveitar  figuras fabulosas como este escultor Luciomar, que é também santeiro, o que não há mais em Portugal, como também o Coral dos Profetas, que  pode se apresentar lá, a exemplo do que deveriam fazer os artistas de lá, aqui”.

Após 19 anos de sua primeira passagem de apenas 2 horas por Congonhas, o historiador e apresentador do programa de TV “Caminhos da História”, exibido há 10 anos pelo Porto Canal,  o historiador Joel Cleto declara: “Estou verdadeiramente impressionado, desde logo, com as diferenças que vejo em relação à primeira visita. Há todo um trabalho de restauração verdadeiramente exemplar. No interior da Basílica, houve descobertas que vêm valorizar ainda mais esta Igreja do Senhor de Matosinhos em Congonhas. Muito impressionado também com o restauro das obras das Capelas da Paixão de Cristo, como com a consolidação do estudo dos Profetas do Aleijadinho. Tudo isso serve de referência para todo o Mundo. Estou igualmente impressionado com o Museu de Congonhas que, não tenho dúvida em dizer, encontra-se, neste momento, ao nível dos melhores museus mundiais, na forma que trabalha a sua coleção, na forma como se coloca como uma extensão do Museu ao vivo, ao ar livre, que está mesmo ao lado, e, acima de tudo, esta preocupação do envolvimento da comunidade na construção do próprio Museu. Este não é um espaço para uma elite, que as pessoas simples achem que não é para elas, há aqui um projeto de grande inclusão, porque a memória do Senhor de Matosinhos e o patrimônio que a ele está associado não é apenas de alguns, é de todos”, comentou.

Sobre as afinidades que levam as duas cidades a reaverem o Acordo de Geminação, Joel Cleto vai além do que se costuma apontar: “Há um enorme potencial deste entrelaçamento. Há fortes ligações evidentes entre Congonhas e Matosinhos, como o Senhor de Matosinhos, e outras que podem surpreender a quem esteja menos atento. Nos dois territórios temos coisas muito semelhantes e que podemos partilhar. A mineração teve algum relevo até os anos 1980, com o caulino e o granito. A montanha mais alta de toda a região foi retirada e causou impacto paisagístico. O trabalho dos imaginários é outro item a considerar. Se por aqui passou Aleijadinho, um dos maiores escultores de todos os tempos, em Portugal temos dois irmãos que fizeram a imagem de Nossa Senhora de Fátima, sendo que um deles, Guilherme Ferreira Thedim (1900-1985) , viveu toda sua a vida em Matosinhos”, completou o historiador, que colheu material em Congonhas sobre o rico patrimônio local para divulgar na TV portuguesa para além mar, mas também para os interessados no Brasil, já que o Porto Canal pode ser acessado pela internet.

Outro componente da delegação de Matosinhos em Congonhas, Pe. Manuel Mendes também não poupa elogios ao que viu na cidade. “As obras do Santuário com a estatuária de Aleijadinho, todo o resto e esse Museu novo são impressionantes, são imagens que vou guardar e levar no coração, porque isso forma uma unidade muito grande, tem uma força tremenda pelo lugar, pela forma como estão, é realmente alguma coisa muito impressiva mesmo dentro da Basílica do Senhor de Matosinhos, toda aquela pintura, a unidade, a história que é contada ali, e eu levo isso. Estive também na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, subi a pé a ladeira ao lado do prefeito e o Antônio Carlos, o que para mim é muito interessante: subir no meio do povo e ver aquilo tudo,  estive também na Igreja de São José Operário, que já me tinham chamado a atenção, ela forma com as outras igrejas do eixo histórico a Santíssima Trindade em Congonhas e gostei de ver tudo”, contou o viário.

Desde a última segunda-feira, a comitiva de Matosinhos participou de reuniões, visitou o Santuário e outras igrejas, participou de missas do Jubileu, tendo sido o pároco da Igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos de Portugal, Manuel Mendes, um dos celebrantes da que encerrou os festejos religiosos do Jubileu, e ainda foram a Academia de Ciências, Artes e Letras de Congonhas, onde o historiador Joel Cleto ministrou palestra sobre Matosinhos, o Bom Jesus e a relação de ambos com o Brasil e outros países. Estiveram ainda no Parque da Cachoeira, na Mina Casa de Pedra da CSN e em outras cidades, como Belo Horizonte, São João del-Rei, Tiradentes, Itabirito e Ouro Preto.

A diretora do Departamento de Desenvolvimento Cultural e Econômico da Câmara de Matosinhos, Clarisse Castro, também participou de toda a programação. A delegação retorna a Portugal neste domingo.

O compromisso de geminação com Matosinhos é fruto também do trabalho de uma comissão nomeada pelo prefeito Zelinho, com objetivo de restabelecê-lo, formada pela secretária de Cultura, Miriam Palhares, a vereadora Patrícia Monteiro, a servidora municipal Vanda Lúcia, o diretor de Turismo, Francisco Barbosa, o diretor-presidente da Fumcult e secretário de Comunicação e Eventos, Sérgio Rodrigo Reis, o diretor de Patrimônio Histórico e escultor, Luciomar Sebastião de Jesus, a secretária executiva da Associação das Cidades Históricas de Minas Gerais, Ana Alcântara, e o procurador adjunto, Carlos Felipe.

 

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