Carnaval gerará receita milionária para cidades mineiras e mais uma vez Lafaiete não participará desse bolo milionário

A folia deve movimentar R$ 193 milhões no Estado; Em Muzambinho, Sul de Minas, a expectativa é gerar R$ 15 milhões, já em Ouro Preto a espera é de R$ 60 milhões

O carnaval é a maior festa do Brasil e movimenta a economia de todo o país. Um estudo realizado em 2013, pelo economista Claudio D’lpolitto da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-RJ), mostra que o Carnaval gera impacto direto e indireto em pelo menos 19 segmentos econômicos. Desde fabricantes de itens para a festa, passando pelos setores de higiene e beleza, supermercados, hotéis, empresas de transportes, produtores de shows, músicos e também entre os segmentos que recebem as pessoas que querem fugir da folia, como hotéis, pousadas e retiros espirituais.

Sem carnaval, Lafaietense deverá migrar para cidades vizinhas

O Ministério do Turismo estima que cerca de 6,8 milhões de turistas devem passar pelo país no período de 1 a 6 do mês que vem, gerando R$ 6,6 bilhões à economia nacional. Em Minas Gerais são esperado 195 mil turistas, a estimativa é que cada turista gaste cerca de R$ 991, movimentando R$ 193 milhões na economia mineira. Em 2018, Minas Gerais recebeu cerca de 190 mil turistas resultando em R$ 177 milhões, de acordo com o Departamento de Estudos e Pesquisas do Ministério do Turismo.

Porém, mais uma vez a falta de planejamento do município de Conselheiro Lafaiete fará com que o município não participe dessa receita milionária e as cidades vizinhas agradecem. Não é de hoje que os bastidores do carnaval revelam uma indústria milionária que gera receita o ano inteiro. Já foi a época em que os municípios deixavam para planejar o carnaval em janeiro, hoje em dia as administrações municipais tem enxergado o carnaval como uma oportunidade para fomentar a economia local, gerar emprego e renda para a população e receita para os cofres municipais. A profissionalização do carnaval faz com que ao encerrar as festividades de um ano, já se começam a planejar e trabalhar na festa do ano seguinte. Na região do Alto Paraopeba temos exemplos de sucesso com o carnaval como os realizados por Congonhas, Queluzito, Carandaí e Capela Nova. Mesmo em anos onde havia Carnaval em Lafaiete vários Lafaietenses optavam em se deslocar para estas cidades vizinhas onde além de boas festas as mesmas primam pela qualidade.

Muzambinho, localizada no Sul de Minas Gerais, é uma das cidades que mais recebem turistas durante o feriado prolongado. O município, com pouco mais de 21 mil habitantes, é dono do maior bloco carnavalesco do Estado, o Vermes & Cia, A programação do evento tem início na sexta-feira com cerca de 16 atrações nacionais e recebe caravanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Tocantins, Bahia e até do exterior.

A população da cidade chega a dobrar durante os cinco dias de folia e os setores de hotelaria, alimentícios, imobiliários e transportes são diretamente beneficiados com o crescimento de turistas durante a festa. “Calcula-se que cada folião gaste, em média, R$ 750. O que gera uma receita aproximada de R$ 15 milhões”, afirma Pedro Pioli, produtor executivo do Carnaval.

E em busca de uma renda extra, muitos moradores preferem alugar suas próprias casas para os foliões. Na avaliação da corretora de imóveis, Fernanda Souza, devido à alta demanda é importante que o turista vá para a cidade com sua reserva garantida. “As pessoas não costumam deixar para a última hora a questão da hospedagem. Ao menos não deveriam. Isso porque a demanda é, de fato, muito alta. A procura por hotéis, casas, área de camping e quitinetes acontecem desde o ano anterior. Sempre recomendamos que as pessoas reservem seu espaço antecipadamente”, explicou Fernanda.

A corretora também afirma que o preço da locação de casas em Muzambinho varia de acordo com o tamanho do imóvel e o número de pessoas. “As casas, em média, custam de R$ 3 mil a R$ 5 mil. Mas o valor modifica de acordo com o que o turista procura”. Guaxupé, Cabo Verde, Guaranésia, Monte Belo, Juruaia, entre outras cidades vizinhas de Muzambinho, hospedam parte dos turistas devido à grande procura por hospedagem e a taxa de ocupação dos hotéis de Muzambinho que gira em torno de 100%.

A festa de Ouro Preto, cidade localizada na região Central de Minas, também contribui de maneira significativa para a movimentação econômica durante a folia. De acordo com a Secretaria Municipal de Turismo, Indústria e Comércio, cerca de 75 mil pessoas são esperadas durante os cinco dias e cada folião deve gastar, em média, R$ 893,15.

Vale ressaltar que nesses 75 mil estão incluídos, não apenas Ouro Preto, mas também os seus distritos. E os dados levam em consideração as pessoas que ficam hospedadas na cidade e também os foliões que vão à Ouro Preto e retornam para suas cidades no mesmo dia já que os principais blocos como Nomad, Barroco Loco e outros se apresentam durante a tarde. “O Carnaval deve resultar em R$ 60 milhões em movimentação financeira no município. Ouro Preto está entre os dez maiores carnavais do país e é uma das cidades que mais recebe turistas durante a folia. Decidimos incrementar ainda mais os tradicionais blocos incluindo shows de grande porte nacional como Chiclete com Banana, Olodum e outros para despertar o interesse do folião pelo carnaval da cidade”, conta Victor Hugo, produtor executivo da Arena Ouro Preto Folia.

Emprego temporário

A folia é responsável por boa parte das contrações temporárias durante todo o verão brasileiro. De acordo com o levantamento realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o período é responsável por 72% das contrações sazonais e, este ano, mais de 35 mil contratações devem ser realizadas até o final da estação.

O crescimento é acentuado principalmente pelos setores de alimentação e hospedagem que abrem mais de 10 mil vagas em todo o país. O Grande Hotel de Ouro Preto, um dos mais tradicionais da cidade, é uma das empresas que contratam funcionários temporários para o Carnaval. “Todos os anos fazemos contratações. Este ano contratamos cinco pessoas porque aumenta a demanda para as camareiras e também para o pessoal que trabalha no restaurante do hotel. As nossas reservas estão esgotadas há 30 dias”, afirma Helena Galdino, gerente do Grande Hotel.

Os bares e restaurantes geram 53,4% das vagas ofertadas. Os serviços de transportes de passageiros, agências de viagens, operadoras de turismo, aluguéis de automóveis, atividades culturais, recreativas e esportivas, oferecem, juntos, 5,7% dos empregos temporários. Outro setor que emprega nesse período é o de eventos. “Na Arena Ouro Preto Folia são mais de 250 contratações diretas durante o Carnaval. Entre médicos, brigadistas, seguranças, garçons, recepcionistas, técnicos de som, técnicos de luz e produtores. Ainda não avaliamos o número de contratações indiretas”, ressalta Victor Hugo, produtor executivo do Carnaval de Ouro Preto.

Admin Autor

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *