Foliões e organizadores mostraram em Congonhas como se faz um Carnaval tranquilo e criativo

O Carnafolia 2017 de Congonhas transcorreu em clima de muita tranquilidade. Alguns motivos concorreram para o sucesso do evento. Um deles foi a população ter aderido à ideia de que Carnaval à tarde e à noite é mais seguro e saudável. A partir deste ano a folia começa e termina mais cedo. As bandas da cidade e do Carnaval de Belo Horizonte, como outras de cidade vizinhas como Mariana e Brumadinho, levaram para os palcos Marechal e Quarteirão do Samba muita qualidade musical e rítmica. Os foliões aprovaram a realização da festa, apesar da crise que assola os municípios, porque, além de proporcionar bons negócios para o comércio em geral e ambulantes, ela contribui para aliviar um pouco a alma das pessoas.

Carnaval de Congonhas foi sucesso total

 

Um dos pontos fortes do Carnafolia 2019 de Congonhas foi o número de bandas de alto nível como as congonhenses Radicais do Samba, Soul do Bem, Via de Fato, Beisamba e Samba de Casa e as dos blocos do Carnaval belo-horizontino Quando Come se Lambuza, Baianeiros, Juventude Bronzeada, Então Brilha e Chama o Síndico.

Os shows infantis não ficaram atrás e agradaram muito à criançada. Este ano ela se esbaldou com as apresentações do MP Baixinhos, Pirulito Da Vila, Dudu Nicácio e seu “Fera Neném”, Club Osquindô, além da Banda Bom Jesus, que sempre conta com grande participação de meninos e meninas acompanhados de suas famílias.

Apesar de terem se apresentado em menor quantidade, os blocos carnavalescos que ganharam a Marechal deixaram saudade, como o Banhistas Libertárias, recepcionados na segunda-feira pelos moradores do Centro com duchas espalhadas pela Marechal e reforçadas por jatos d’água de mangueira e baldes, e o Unidos do Brejão, que desfilou nesta terça-feira.

O público mirim participou em maça de outra atração do Carnafolia, nesta terça-feira. Ao lado dos papais, mamães, titios e vovós, a garotada já tornou o Bloco Infantil Pirulito outro grande sucesso. Ele foi animado por um trio elétrico pela avenida Marechal Floriano Peixoto. Tinha muita criança pulando, outras no pescoço, no carrinho de bebê, no colo da mamãe. Teve até quem dormisse o tempo todo. Mas todos foram embalados por cantigas de criança e músicas de adulto no ritmo de Carnaval.

O casal Eliene Castro Pinto e Wellington, do bairro Rosário, participou do Bloco Pirulito com os três filhos Nicole, Melory e Wellington. “Gostei da programação infantil do Carnaval de Congonhas, porque alguém se lembrou das crianças”, comemorou.

Dona Rita Ribeiro de Assis, de 95 anos, participou do Arrastão da Melhor Idade. Há 25 anos integra o Grupo Renascer e sai sempre no no bloco do grupo, que este ano não foi para a avenida, então ela desfilou somente no Arrastão da Melhor Idade na sexta de Carnaval. Dona Ritinha avaliou assim a festa momesca: “Este ano não vi briga e tanta bebedeira de menores como nos anteriores. E a antecipação do horário do Carnaval foi melhor pra gente ir embora mais cedo pra casa”.

Rui Ivan e Cristina Helena e os filhos Victor e Brinda, do bairro Primavera, também aprovaram a antecipação do horário do Carnaval em Congonhas. “A ideia é boa, assim todo mundo se diverte sem se desgastar muito. Gostamos também das bandas que mostram muita qualidade”, avaliaram.

Ao final dos cinco dias de Folia, a secretária de Cultura da Prefeitura de Congonhas, Miriam Palhares, se perguntou: “Se não tivesse acontecido o Carnaval, onde nossa população ficaria nestes cinco dias? Na segunda-feira, por exemplo, não havia como transitar da Marechal para a praça JK, de tanta gente que estava nas ruas. O prefeito Zelinho teve o discernimento e o bom senso de definir pela realização do Carnafolia 2019. O brasileiro e principalmente o mineiro, que não tem praia, precisa do Carnaval, o nosso, o de Ouro Preto, o de Belo Horizonte, de São João Del Rei são provas disso. Temos de seguir realizando esta festa e atrair cada vez mais turistas para cá. E boa parte deste sucesso se deve a nossa competente comissão organizadora. Cada servidor da Prefeitura cumpre bem seu papel para os demais cidadãos se divertirem. Tudo acontece na hora determinada durante a festa e a cidade fica pronta logo em seguida para sua vida normal, inclusive muito limpa, graças ao trabalho dos garis”.

Com relação à principal alteração deste ano, o início da festa à tarde e fim logo depois da meia noite, a secretária diz: “O horário do Carnaval foi muito elogiado, estamos no período de transição, as pessoas começaram a se acostumar a vir pra rua mais cedo e, ano que vem, já virão em maior número até na parte da manhã. Como termina o som e o funcionamento de bares e a circulação de ambulantes, as pessoas vão pra casa e com segurança. Muitas pessoas estão procurando a organização do Carnafolia para anunciar que vão preparar bloco para 2020 e colocá-los em diversos horários do dia”, completa Miriam Palhares. Um exemplo que estreou este ano, mas fora do circuito oficial do Carnafolia e que promete ganhar corpo ano que vem é o Bloco da Ladeira, formado por moradores da rua Bom Jesus e adjascências.

Segurança

Após a realização do trabalho conjunto com a Polícia Militar, o assessor especial de Governo ligado à área da segurança pública, Zé Pedro Miranda, avaliou que, “no aspecto segurança, o Carnaval de Congonhas foi tranquilo, sem ocorrências policiais de destaque, tendo acontecido apenas na sexta-feira pequenas confusões. Os seguranças contratados pela Prefeitura de Congonhas trabalharam mais do que em anos anteriores para suprirem a redução do efetivo da Polícia Militar, já que quase todas as cidades encaminharam parte do seu para Belo Horizonte”.

Uma Comissão de Criança e Adolescente do Carnafolia realizou, com base na Portaria Nº 01/2019 JIJ, expedida pela Dra. Flávia Generoso de Mattos, Juíza de Direito da 2ª Vara Cível, Criminal e da Infância e da Juventude e Diretora do Foro da Comarca de Congonhas, trabalho de orientação aos comerciantes e jovens com relação a uso de bebida alcoólica por parte de menores. E o Centro de Apoio à Criança e ao Adolescente deu suporte, com suporte dos postos médicos, a esses jovens que acabaram fazendo uso de álcool. Esta comissão faz contato com o Conselho Tutelar para encontrar os responsáveis pelos menores para as devidas providências.

“O número de jovens alcoolizados e até em coma alcoólica tem reduzido consideravelmente. Este ano isto ocorreu também em função da antecipação de início e final da folia. A Portaria também contribui muito. Uma semana antes do Carnaval, fizemos este trabalho intensificado com os comerciantes para evitar esta venda indevida e demos publicidade ao conteúdo da portaria com panfletos, rádio e redes sociais”, explicou o assessor especial de Governo de Políticas Antidrogas, Dalton Barboza.

A avaliação dos responsáveis pelos postos médicos instalados na sede da Prefeitura e na rua Portela é parecida, apontando poucos casos de pessoas encaminhadas a eles por algum problema de saúde nos cinco dias de folia em Congonhas.

 

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