Lafaiete dá um passo atrás e está prestes a devolver trânsito a PMMG

Após quase dois anos da municipalização do trânsito em Conselheiro Lafaiete, gestão ainda é desafio.

Eram idos de agosto de 2017 quando o município de Conselheiro Lafaiete foi integrado ao Sistema Nacional de Trânsito, cumprindo assim o que determina o Código de Trânsito Brasileiro de 1997. Naquele período Lafaiete se juntou a cidades do porte de Belo Horizonte, Betim, Juiz de Fora, Contagem, Mariana, Montes Claros entre outras. Passados mais de dois anos porque o trânsito de Lafaiete ainda é um desafio para os gestores municipais e beira o caos nos horários de pico e em fechamento de ruas e avenidas para manutenção?

Talvez uma resposta simples e superficial poderia ser que o município hoje conta com uma frota de 73.375 veículos registrados no município, segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito levando-se em conta o ano de 2018.

Ocorre que para se pensar em uma resposta a este questionamento não basta apenas colocar a culpa no tamanho da frota no município. Como todo sistema gerencial saber o tamanho da demanda é importante, mas não é tudo. É preciso investir em planejamento. Fato é que faltou planejamento antes da integralização do município de Conselheiro Lafaiete e falta gravemente planejamento agora dois anos depois. Envolver a sociedade em um debate ao entorno do tema trânsito também é fundamental. Não é de hoje que se sabe que ninguém faz nada sozinho, as construções coletivas sempre dão um resultado melhor e exemplos destas construções estão aí em todo lugar para provar isso. Chegamos em um tempo que não adianta um gestor municipal fazer ações que vão intervir na vida dos munícipes somente com a sua vontade e consciência. É preciso saber ouvir, ouvir e ouvir para aí sim elaborar um planejamento coletivo do qual todos se importem e importando o cumprimento fica mais fácil pois se torna algo concebido por todos. Nessas horas é preciso se despir de todas as vaidades, ainda que tenha muita gente que busca reconhecimento em ver o seu nome esculpido em placas (marco de inaugurações).

Dois anos é muito tempo para deixar que os munícipes de uma cidade vivam diariamente o caos no trânsito, proporcionando mais stress e piora na qualidade de vida do cidadão. Executar ações sem um planejamento adequado acaba por ser ineficaz e em muitos casos colabora para que ocorra o retrabalho.

Uma municipalização do trânsito bem-feita leva:

I – Aumento das receitas municipais

  1. implantação dos serviços de estacionamento rotativo regulamentado, zona azul ou verde, como queira a lei denominar;
  2. taxas de cadastramento de ciclo motores e outros meios de transportes de tração humana e animal;
  3. multas municipais por infração à legislação de trânsito; incremento da arrecadação do IPVA, e ainda os serviços de remoção e guarda de veículos;
  4. taxas de circulação para cargas especiais e perigosas;
  5. implantação do Sistema de Transportes Públicos e Passageiros – STPP e suas taxas de embarque, alvará, RST e do imposto Sobre Serviços – ISS;
  6. redução dos custos hospitalares com a redução de acidentes;

II – Melhoria da qualidade de vida

  1. melhoria da qualidade do trânsito urbano e consequentemente melhoria da qualidade de vida da população com o controle da poluição sonora e ambiental;
  2. formação mais adequada dos alunos de escolas municipais como usuários de trânsito;

III – Geração de emprego rendas e oportunidades

  1. possibilidade de profissionalização dos jovens do Município, qualificando-os como técnicos em operação, fiscalização, administração e planejamento do trânsito, e ainda
  2. abertura de novos postos de empregos para a população.

Porém não foi isso que foi visto em Lafaiete nos últimos anos, diariamente o que se vê é um trânsito caótico, acidentes dentro da zona urbana se tornaram recorrentes e transitar pelo centro da cidade em horário de pico virou desafio. Com todos esses inconvenientes o que restou para o Lafaietense é ver a oportunidade que o município tinha nas mãos ir para o ralo.

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