Para que nunca mais se repita!

Para que nunca mais se repita!

*Renato dos Santos Lisboa

31 de março de 1964, há exatos 55 anos, ocorria a deposição do então presidente da república João Goulart, ocorrendo-se assim uma violação deliberada e ilegal das regras constitucionais da época, tendo os militares apoderado-se dos órgãos e do poder político.

O discurso da instalação do referido golpe, trouxe como argumento principal a defesa da democracia, mas o que se viu ao longo da história foi que o regime instalado pelo golpe militar se tornou o maior violador do sistema democrático e também das garantias individuais do cidadão.

Período da história conhecido como os anos de chumbo, foi tão violento que eliminou garantias constitucionais, mandatos políticos foram cassados, direitos políticos foram suspensos, brasileiros foram torturados, mortos e muitos ainda hoje estão desaparecidos.

Naquele período foi instalado um aparato de inteligência para vigiar cada cidadão (a), o poder público passou a controlar manifestações, opiniões e expressões culturais. O que parecia hostil ao governo sofria censura e aqueles que não se enquadravam na política adotada pelo regime eram tratados como inimigos.

Não foram poucas as violações de direitos humanos praticadas contra civis, políticos, artistas, estudantes… Todo aquele que resolvia levantar a sua voz contra o autoritarismo do governo sofria as consequências. A tortura sistematicamente empregada pelo Estado brasileiro desde o golpe de 1964, constituía peça fundamental do aparelho de repressão montado pelo regime.

Por mais de duas décadas perpetuou no Brasil um estado de exceção, se tornando o período mais cruel e duro da recente história do Brasil.

Querer inverter a história e retratar o dia 31 de março de 1964 como dia a ser comemorado é subverter os fatos e documentos que comprovam as arbitrariedades cometidas durante 21 anos. É também, contrariar os princípios que regem a Constituição Federal de 1988 e o Estado democrático de Direito conquistado a duras penas pelo povo brasileiro.

Qualquer ser humano em sã consciência não pode celebrar o que se tornou graves violações de direitos humanos e crimes contra a humanidade, em apologia à violência.

O dia 31 de março de 1964 não deve ser comemorado e sim lembrado para que nunca mais se repita.


* Empreendedor serial. Mestrando em Administração com expertise em Direito Administrativo Empresarial e Financeiro, economia, gestão de pessoas, coaching, wellness coaching, gestão financeira e orçamentária, tecnologia da informação, segurança do trabalho, propriedade intelectual, legislação trabalhista e ética profissional. Experiência em empresas nacionais de grande porte, com atuação na estratégia do negócio, abrangendo projetos relacionados à cultura e desenvolvimento organizacional, gestão de mudanças, coaching de executivos e carreira, compreendendo mapeamento de competências, avaliação de desempenho, gestão de clima, planos de atração, sucessão e retenção de talentos.

 

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