Há três séculos no Alto Maranhão em Congonhas o flagelo e a ascensão de Cristo eram celebrados na Quaresma

Moradores do Alto Maranhão e centenas de visitantes mantiveram a tradição de celebrarem a Semana Santa com grande simplicidade e imensa fé. O que poucos sabem é que, há cerca de três séculos, o período dedicado a reviver a paixão, morte e ressurreição de Cristo na então localidade do Redondo e posteriormente, Distrito do Alto Maranhão, até o início do Século 20, acontecia no final da Quaresma. Mas na retomada destas celebrações, já em 1987, a comunidade passou a adotar o mesmo período, denominado pela Igreja Católica como Semana Maior, o que se repetiu este ano. Toda a programação teve com referência a Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, recentemente restaurada. As imagens do Senhor dos Passos e de Nossa Senhora das Dores e as cruzes, como o próprio templo católico são elementos que testemunham a devoção e a história das diversas gerações que por ali passaram e que ali habita atualmente. A Sociedade Musical Nossa Senhora da Ajuda, o figurado bíblico e os sermões completam o ambiente que emocionam os fiéis. A Prefeitura instalou iluminação na área externa para valorizar a programação noturna.

Os moradores mais antigos relatam que a Semana Santa do Alto Maranhão existiu em grande estilo por volta do século 18, quando os portugueses trouxeram esta tradição de fé e devoção para o Brasil. Mas na época ela acontecia na Semana das Dores, integrada a celebração da Quaresma, também conhecida como Setenário de Dores, que é o período de reflexão sobre todas as dores vividas por Maria ao longo da vida de Jesus e que antecede a Semana Maior.

Para Maria da Paz, coordenadora do Conselho Comunitário de Pastorais (CCP), historiadora e filha de Geraldo Lucindo, um dos moradores mais ilustres da história da comunidade, acredita que os padres Maristas e Lazaristas contribuíram para que as celebrações acontecessem uma semana antes no povoado, porque os padres já possuíam muito trabalho na sede do Município durante a Semana Maior. Estas festividades foram interrompidas por cerca de 80 anos, até que, em 1987, foram retomadas, quando o coordenador da comunidade era o senhor José Apolinário, um dos ministros da Eucaristia era Paulo Pereira Pinto e o pároco da Matriz de São José Operário, o padre era Carlos Alberto. Nesta época, foi introduzido o figurado bíblico nas celebrações e acontecia a procissão da Ressurreição no Domingo da Páscoa.

Maria da Paz lembra que “foi Paulo Pereira Pinto [irmão dela] e o Sr. José Beto que tiveram a ideia de retomar a Semana Santa no Alto Maranhão, o que aconteceu também graças ao apoio de um grupo da Renovação Carismática de Congonhas e que já realizava a Via Sacra da Semana das Dores no Distrito. O Padre João Carlos Chini também colaborou para a evolução desta celebração na comunidade. Mas ela ganhou mais expressão com Padre Oscar, que introduziu as missas na Semana Santa local, menos na Sexta-Feira da Paixão, como acontece em toda a Igreja Católica”.

2019

Este ano a Semana Santa começou no Domingo de Ramos com a procissão, do coreto até a Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, seguida da missa presidida pelo Pe. Eduardo Bastos. No mesmo dia, à noite, Nossa Senhora foi para uma das casas do Distrito.

Na Segunda-Feira Santa, houve Missa seguida da procissão do depósito, em que o Senhor dos Passos foi para uma das casas do Distrito.

Na Terça-Feira Santa, logo após a Celebração da Eucaristia, aconteceu a Procissão do Encontro, conduzindo a imagem de Nossa Senhora das Dores, saindo da residência da família do Sr. Waldinei e Sra. Jucilene e a imagem do Senhor dos Passos, saindo da residência da família do Sr. Eli e Senhora Leia, até o espaço celebrativo, em frente à Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, com um belo sermão.

Na Quarta-feira Santa, houve celebração eucarística, procissão e Meditação das Dores de Nossa Senhora.

Na Quinta-Feira, o Lava Pés contou com a participação do Cônego Geraldo Leocádio.

Dia de maior presença de fieis do Distrito e de visitantes, na Sexta-Feira Santa, as matracas substituíram o repicar dos sinos. A programação teve início com a Via Sacra, pela manhã, realizada já alguns anos a partir das 6h; seguiu com o Ato Litúrgico conduzido pelo Padre Sebastião, que esteve na cidade auxiliando os sacerdotes locais; o descendimento da Cruz com o sermão acompanhado pelo seminarista Odair Jhones e depois a procissão, percorrendo a Praça 15 de Agosto e ruas Dom Muniz, Joaquim Pinto, Dr. José Teodoro da Cunha, retornando à Igreja.

No Sábado da Aleluia Missa, o Cônego Geraldo Leocádio conduziu a Vigília com a benção do fogo no adro da Igreja. A procissão com o Santíssimo Sacramento se dirigiu da Igreja até o coreto, percorrendo a rua toda enfeitada.

A Semana Santa do Alto Maranhão terminou com a celebração da ressurreição no Domingo da Páscoa.

 

 

 

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