Indústria mantém o brilho da festa, mas vive o seu pior momento

Na comemoração do Dia da Indústria, discursos otimistas, medalhas e coquetel; na realidade do setor, crise sem precedentes e entidades na mira da polícia

Na noite desta quinta-feira, 23, como ocorre em todo mês de maio há anos e anos a fio, a Fiemg (Federação das Indústrias de Minas Gerais) reúne a nata política e empresarial do estado para celebrar Dia da Indústria com discursos, medalhas e coquetel. A festa está mantida. Mas, o ambiente no setor não poderia ser mais tenso e sombrio. A indústria mineira e nacional vive o seu pior momento, acossada por uma crise sem precedentes e sem fim à vista e com suas entidades na mira do Tesouro e da polícia.

O setor industrial é atingido por uma avalanche de más notícias desde o último trimestre do ano passado. A sua principal entidade, CNI, teve o presidente Robson Andrade (aliás, representante de Minas) afastado por investigações de corrupção; os recursos que alimentam o Sistema S (Sesi e Senai) entraram na mira da tesoura do governo federal e pela primeira vez terão seus gastos abertos na internet em menos de 90 dias – uma exigência  inesperada de transparência que pegou muitos de calças arriadas.

De todas, a pior notícia para o setor é o aborto da sua recuperação. O setor acumula queda de 2,2% neste ano, segundo o IBGE. Voltou ao nível de produção de 2009 e registra a menor participação no PIB nacional (9%). E ainda há o agravante da falta de perspectivas. Não se vislumbra reação na maioria dos segmentos.

Alguns segmentos industriais ainda mantém elevado otimismo, como é o caso do automotivo. No início do ano, a Anfavea projetou um crescimento de nada menos que 9% para a produção brasileira de veículos neste ano. E não reviu depois os números, que continuam sendo a previsão oficial. Ontem (22/05), a FCA anunciou um acréscimo de R$ 500 milhões a um investimento de R$ 8 bilhões que planeja em sua unidade de Betim (MG), para construção de uma fábrica de motores de exportação.

Há outros sinais positivos na indústria e na economia, como reportado em matérias de Os Novos Inconfidentes. Mas, infelizmente, o desinvestimento está superando em muito o investimento; as más notícias são tantas que sufocam ou apagam o brilho das boas novas.

Hoje, na festa da indústria mineira, os principais homenageados são: Ricardo Perez Botelho, presidente do Grupo Energisa, eleito o Industrial do Ano 2019; ex-ministro Alysson Paulinelli, que receberá o título de Construtor do Progresso; e Rubens Menin, da MRV, agraciado com o Mérito Industrial da CNI.

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