Prefeitura de Congonhas quer facilitar o acesso de congonhenses e turistas aos produtos do Pata da Loba

O grupo de artesanato Pata da Loba, do Distrito de Lobo Leite, acaba de receber uma oficina de Crazy. A atividade faz parte do Projeto Redes da Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários do Governo Federal (Unisol Brasil), que conta com recursos da Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES). Para realizar a oficina, o grupo recebeu apoio também da Prefeitura de Congonhas, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, e da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater). Nessa sexta-feira, 7, os secretários municipais Miriam Palhares (Cultura) e Christian Souza Costa (Desenvolvimento Econômico, Inovação e Tecnologia) visitaram as artesãs e oficineiras na Estação Ferroviária de Lobo Leite. O Governo Municipal se prontificou a buscar formas de o grupo conseguir dar maior vazão a seus produtos, estando mais próximo dos turistas e da população congonhense.

Depois do lançamento da Coleção Tesouro de Minas, em 2015, que registrou o Ciclo do Ouro, os símbolos, edificações, fauna e flora locais, com peças de cama e mesa, direcionados para um público específico e de maior poder aquisitivo, o Pata da Loba começou a trabalhar para ampliar seu mercado consumidor. As oficinas seguintes tiveram o objetivo de capacitar as artesãs para a criação de produtos mais comerciais, com design mais simplificado e que fossem igualmente utilitários. “Durante esta oficina, trabalhamos o bordado com mais fios, que, portanto, atribuem ao artesanato mais vida. Desenvolvemos produtos como bolsas de diversos modelos, estojos, maletas que podem ser até térmicas. De toda forma, as peças possuem muito valor agregado porque utilizam linho, bainha aberta, bordado. Estas novas seguem decoradas com ícones e símbolos locais, como os casarões, a igreja, a estação ferroviária, as coroas, a flora e a fauna. Agora introduzimos um trabalho de crazy, em que aproveitamos retalhos dos produtos já confeccionados, levando em conta o conceito de sustentabilidade, juntamos o bordado e a bainha aberta com os novos bordados no pontinho, formando bolsas, necessaires, porta lenços, produtos significativos com a marca de Lobo Leite que conciliam a criatividade com a funcionabilidade. Tudo muito bem confeccionado, graças à costura criativa de Elenita Marota, que possui grande experiência nesta área. As artesãs de Lobo Leite têm aproveitado muito estas oficinas. Prova de que esta nova linha possibilita uma venda mais imediata é que os preços variam de R$ 15,00 a R$ 150,00. A finalidade do nosso trabalho é que as astesãs tenham uma nova fonte de geração de renda e que o bordado contribua para o entrosamento social, vivência em grupo nas localidades, para que depois elas levem os produtos para cidades maiores, a feiras e consigam uma renda diferenciada em cada família”, explica a artista plástica, designer e oficineira de bordado e produto, Maria Júlia Mendes de Oliveira.

Para a secretária de Cultura da Prefeitura de Congonhas, Miriam Palhares, “é muito importante valorizar o artesanato do Pata da Loba, principalmente porque ele é uma referência de Congonhas, porque lembra a cidade através dos bordados, da Estação, da Igreja, dos Casarões e da comunidade de Lobo Leite. Então temos de ajudar essas mulheres que realizam um trabalho muito dedicado e de grande valor. Lobo Leite abriu esta frente de trabalho em Congonhas”.

Na visão do secretário de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Tecnologia, Christian Souza Costa, “o Pata da Loba precisa de um espaço próximo à área do Santuário de Congonhas. O turista que visita a cidade é o cliente ideal para esse tipo de produto, de grande valor agregado, que essas mulheres confeccionam. Precisamos também desenvolver um turismo de experiência no Município, em quem o visitante vai até a comunidade, vivencia o processo de produção e conhece de perto as características do artesanato local”.

A oficineira Maria Júlia completou a fala do secretário lembrando que, na localidade de Córregos, em Conceição do Mato Dentro, ocorreu recentemente uma experiência exitosa de turismo de experiência. “Com patrocínio de uma mineradora, realizamos uma feira de artesanato que recebeu funcionários da empresa na África do Sul, Estados Unidos, Inglaterra e Chile. Nesta oficina espelho, o artesão ensinava como fazer o produto e todos foram para a máquina, alguns chegaram até o final do processo de confecção da peça. E o da África do Sul disse que levaria para Johanesburgo, não só produtos artesanais de alta qualidade, mas também o exercício da paciência e que, quando o escritório estivesse muito pesado, ele diria aos subordinados: – Vocês estão precisando bordar”.

Membro do Pata da Loba e representante jovem dos grupos de artesanato de Minas Gerais na Unisol Brasil, Joice Cristina Dias está ciente de quanto valor estas oficinas acrescentam no resultado final do artesanato dela e de suas companheiras. A novidade agora é que os produtos estão mais acessíveis ao público, então concorda que é necessário encontrar locais de grande circulação de congonhenses e turistas para que as vendas aumentem. “Atualmente elas acontecem, em sua maioria, na Estação Ferroviária de Lobo Leite, porque não temos um local na sede do Município para comercializar nossos produtos. Contamos com o apoio da Secretaria de Cultura para algum deslocamento e para participarmos de festivais em Congonhas, como o da Quitanda e o FACAP, que ocorreu aqui mesmo em Lobo Leite, assim como contamos com a Emater e Unisol Brasil. Como disse o secretário Christian, seria muito bom conseguir um espaço nas proximidades das obras de Aleijadinho. Da mesma forma que seria importante maior incentivo para que os turistas visitassem mais Lobo Leite, seria bom que eles viessem aqui conhecer a histórica e a cultura do Distrito, e nós somos parte disso. Nosso artesanal traz as características de Lobo Leite e das Minas Gerais”, completou.

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